segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Jacarandá

Saí ontem com uma amiga que não via desde o meio do ano (ela mora nos Estados Unidos e está no Brasil para as festividades de final de ano e para o casamento de um primo). Nós íamos à exposição do Ron Mueck na Pinacoteca, mas a fila estava quilométrica e a temperatura estava fresquinha #soquenao... Desistimos e fomos ao MAC do Ibirapuera, que fazia tempo que queria visitar.
Primeiro que é inacreditável que aquele prédio claro, agradável e lindo já foi, há não muito tempo, aquele prédio burocrático e feio que abrigava o Detran! Segundo que o museu, de entrada gratuita (e tem estacionamento), tem uma visão superbonita do Parque Ibirapuera do último andar (um dos meus spots favoritos da cidade, sem dúvida). Terceiro que, apesar d’eu não curtir tanto arte contemporânea, o museu tem muita coisa legal, como obras da Tarsila do Amaral e da Anita Malfatti, além da Transarquitetônica, uma instalação impressionante e enorme em que você anda por corredores de concreto que vão virando troncos de árvore. Eu adorei!! Quarto que tem ar condicionado, né... e  isso já é tudo nesse verão!
Da próxima vez, quero ir numa terça, em que o museu fica aberto até as 21h, para pegar o pôr do sol sobre o Parque. Que lindo!

Depois de lá, fomos almoçar. Ô dificuldade encontrar restaurante aberto nessa cidade nessa época do ano...
Felizmente, o Jacarandá estava aberto. Só tinha ido lá uma vez, no almoço executivo. Era uma massa e estava ótima. Pulei a sobremesa e fui ao La Folie.
O restaurante é super agradável, com um lindo jacarandá no meio do salão e uma vendinha na casinha da frente; o atendimento também é super educado e bem informado, a sommelier é fofa demais, com seu sotaque hispânico. O menu é bem curtinho (gosto muito) e tem a fantástica opção dos minipratos – alguns pratos do cardápio são servidos em miniporções (cerca de 1/3 do prato original) para você poder experimentar mais coisas e fazer seu próprio menu degustação!
Eu pedi o mini arroz com camarão e torresmo (R$ 22) e o mini sorrentino de abóbora com manteiga e cogumelos (R$ 14). Também experimentei o mini talharim com alcachofras e limão siciliano (R$ 15) do HK. O talharim, achei meio sem graça, e o sorrentino podia estar mais fino (mas estava bem gostoso!). O arroz estava superbom.

De sobremesa, ainda bem que o Folie estava fechado, porque “fui forçada” a comer a de lá mesmo – pedimos o bolo cremoso de chocolate belga e o untuoso creme de café com farofa (ambas em torno de R$ 15). Estavam ótimas, preferi meu creme, bem levinho e aerado, casando perfeitamente com a farofa crocante.

 Ah, tenho que falar que a freqüência do restaurante é ótima: a Paola Carosella estava lá!!!! Aaaaaaaaa!!! Virei tão fã dela depois do Masterchef Brasil!! :D (não, não falei com ela que morro de vergonha dessas coisas)

Voltarei? Sim, a comida é boa, e devo incentivar a idéia dos mini-pratos.
Para ir: com poucas pessoas, que o salão não é grande.
Tipo: comidinhas com sotaque espanhol.

Fotos: @autoindulgente. No instagram, tem foto do bolo cremoso, e no meu instagram pessoal (@fernanda.i) tem fotos do MAC.

Serviço de utilidade pública: Rua Alves Guimarães, 153, Pinheiros - tel. 3083-3003

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Micaela

Faz um tempinho já que o Micaela abriu pertinho de casa, mas é engraçado como a gente vai pouco a lugares perto de casa, né?! Fico pensando como faria se eu morasse em Pinheiros... onde é que eu ia jantar?!!
O Micaela também tem um “Q” de bistronomia (a nova moda do rei) – o cardápio não muda com tanta freqüência e não varia de acordo com a sazonalidade dos ingredientes, mas é a mesma ideia de pratos-simples-mas-bem-executados-com-preços-decentes. O cardápio tem pratos e ingredientes bem brasileiros (como canjiquinha e bife à cavalo) com um toque espanhol (bem interessante).

Não resisti às lembranças da infância e pedi a canjiquinha (R$ 40). Já corto logo o barato de quem babou pensando no meu prato (não muitas pessoas, imagino... o povo torce o nariz só de ouvir as palavras “língua”, “rabada”, “canjiquinha”, “bucho”... ô gente fresca! Não sabem o que estão perdendo!!): não só a melhor canjiquinha do planeta continua sendo a da minha madrinha, como a do Micaela realmente ficou devendo... sem tempero, rala, sem graça, os grãos al dente (canjiquinha não dá para ser chic, tem que ser mais molinha!)... reprovada!


Só não saí frustrada do restaurante porque roubei um pouco da galinhada (R$ 40) que o HK pediu. Superblasterboa!! Bem saborosa, temperada, bem molhadinha, sem ser empapada. Bem gostosa mesmo!! Vale muito!!

De sobremesa, o HK comeu a creme catalã de paçoca (R$ 20). Boa idéia de colocar farofinha em cima da sobremesa, dando aquele toque crocante ao creme! Mas não me cativou. Melhor descer a rua e comer o nougat com nozes caramelizadas da Lu Bonometti mesmo.


As porções são bem grandes. Da próxima vez, a gente vai dividir uma entrada e um prato. É mais do que o suficiente para nós dois.
A conta, com os dois pratos + sobremesa + água + refri = R$ 119,35.

Voltarei? Sim, a galinhada por si só já me faria voltar! Mas ainda há outros pratos com carinha interessante, como o risoto com costela de tambaqui.
Para ir: Sempre. O restaurante realmente tem preços justos – e ainda fica perto de casa. Dá até para ir de bike!
Tipo: bistrô de comida brasileira.

Fotos: @autoindulgente (a foto da galinhada está no instagram)

Serviço de utilidade pública: Rua José Maria Lisboa, 228, Jardins - tel. 3473-6849

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

BBB

Eis um caso raro nessa cidade! O Opera Ganache vende macarrons bons, bonitos e baratos!!! Delicadíssimos, há vários sabores disponíveis (recomendo o de pistache, bem fiel) e são vendidos por quilo (R$ 160 – 4 macarrons pequenos ficaram R$ 6,72, para uma noção). A melhor relação custo/benefício da cidade, sem sombra de dúvida!
Além dos macarrons, os bombons (R$ 4 cada) também são dignos de menção. Primeiro que são lindíssimos e coloridíssimos. Segundo que são bons de verdade – casca de chocolate fina, chocolate de alta qualidade, e ganache/ recheio bem saborosos. O de chocolate meio amargo com caramelo me lembrou da sobremesa do Glouton... #saudades.

Não bastassem esses dois motivos acima, o atendimento (da loja da Augusta, que foi a que conheci) é primoroso. Uma senhora querida e simpaticíssima, doce como a loja.

Aproveite para dar um pulo na Livraria Mundo Gourmet, que fica na mesma galeria e é uma daquelas lojas-sonho que 4 entre 5 pessoas gostariam de ter (a 5ª pessoa é anoréxica ou aquela amiga chata que não come nada, sabe...).

Voltarei? Sim! Ainda tem doces a la française lindos que eu ainda não provei.
Para ir: satisfazer seu sweet tooth.
Tipo: doces, bombons e macarrons (Noivinhos de plantão, o Opera Ganache também faz doces para eventos. Dá para marcar degustação).

Foto: não teve porque, quando percebemos, já havíamos comido tudo.

Serviço de utilidade pública: Rua Augusta, 2542, loja 7,  Cerqueira Cesar - tel. 5017-6928

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Oui

Sábado à noite, fui ao Oui, que estava na minha lista desde que o Luiz Américo Camargo publicou sua resenha sobre o lugar.
O Oui segue a linha da bistronomia (comida sazonal, bem feita tecnicamente, com ambiente simples e atendimento informal, mas correto, e preços decentes), mas não serve carafe d’eau nem vinho da casa (pessoal do Oui, #ficaadica!). O cardápio tem 2 pratos fixos e mais 3 ou 4 que mudam de acordo com o que está mais fresco no mercado. Conceito interessante e que tende a crescer em SP, dizem os críticos e os bolsos.

Nenhum de nós pediu os pratos fixos. Meu pai pediu o olhete (peixe branco do mar) unilateral (grelhado somente do lado da escama, produzindo uma pele bem crocante e tostada e, do lado oposto, uma carne mal passada e firme) com cevadinha e maçã verde (R$ 47); HK pediu a língua de boi com purê de batata doce (R$ 39), e eu pedi o magret de pato com legumes (R$ 59). Meu magret estava lindamente mal passado, com leguminhos jovens al dente; a língua estava derretendo de tão molinha, o olhete também estava muito bom.


Tudo muito gostoso e correto, mas, talvez pela expectativa criada, não surpreendente. Ficou um ar de decepção no meu semblante.

(talvez minha resenha melhore sua experiência no Oui, porque, se eu tivesse ido com expectativas mais baixas, teria saído mais feliz. Isso foi culpa do Luiz Américo!!, porque o restaurante promete e intenciona exatamente o que entrega...)

(hahahaha!)

De sobremesa, dividimos o gateau de stout com mousse (?) de maracujá (R$ 16) e a mousse de chocolate com sorbet de cenoura (R$ 16) – uma versão refrescante do nosso bolo de cenoura! As sobremesas, sim, superaram nossas expectativas. Leves, deliciosas, diferentes... Super aprovadas.


Com duas taças de vinho tinto (R$ 17 cada) + Coca + água + serviço, a conta ficou R$ 81 por pessoa. Sem o vinho, teria ficado R$ 69. Estou com dificuldades em julgar contas de restaurante ultimamente... acho tudo caro. Não acho R$ 81 barato... mas, em SP, com vinho, sobremesa e bem feito como foi, é quase uma pechincha.

VoltareiOui!
Para ir? Com poucas pessoas – o restaurante é um salãozinho pequetitito + andar de cima. E, de preferência, com reserva.
Tipo: bistronômico.

Fotos: @ autoindulgente (no instagram, você também vê foto do magret e da mousse de chocolate com sorbet de cenoura)

Serviço de utilidade pública: Rua Vupabussu, 71, Pinheiros - tel. 3360-4491

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Restaurante em BH - Trindade

O Trindade, assim como o Glouton, também estava na lista do Paladar. Ficamos em dúvida entre os dois na quinta-feira à noite e, como fomos ao Glouton na quinta, resolvi escolher o Trindade no domingo. Burrice minha – deveria ter repetido o Glouton!!
 
Salão bonitinho e agradável
Chegamos às 12h25 no restaurante. Ainda estava tranqüilo (a casa também lota). Fiquei em dúvida entre pedir o porquinho (assado por várias horas e prensado por mais muitas outras) ou o leitão (servido somente aos fins de semana). O maître nos informou que ambos pratos eram ótimos, mas as guarnições do leitão eram melhores. O contraponto era o tempo – o leitão ainda demoraria uns 50 minutos para ser finalizado, enquanto o porquinho demoraria uns 20 minutos. Como precisávamos estar no aeroporto por volta das 14h45, resolvemos pelo porquinho.
Papo vai, papo vem, risada vai, risada vem... e o tempo passando. Quando olhei o relógio, passava das 13h. Chamei o garçon e pedi que verificasse se nosso prato demoraria muito mais tempo. Ele fez cara de desdém, foi à cozinha, voltou ao salão, foi numa mesa aqui, outra acolá, foi pegar uns talheres perto da minha, fiz contato visual com ele, e ele “vai demorar mais uns quinze minutos” e saiu andando.

Uns minutos depois, o maître chega para a mesa vizinha e avisa “o pão de vocês queimou, por isso que o couvert está demorando, tá bom?” – foi assim que percebi que o negócio não era pessoal – ATÉ o couvert demora no restaurante. O couvert que nem nos foi oferecido.
Mais uns muitos minutos (era 13h15 a última vez que olhei o relógio), um leitão saiu da cozinha para outra mesa (sic!) e, em seguida, o garçom finalmente saiu da cozinha com os dois pratos e praticamente jogou-os na mesa. Virou a cara e foi embora sem dizer uma palavra e sem oferecer outra bebida (meu copo estava vazio).

O porquinho devia estar ótimo. A carne estava bem temperada, tenra e úmida, a pururuca estava crocantíssima, os legumes estavam al dente... mas já estava babando tanto de raiva que o excesso de saliva me impediu de saborear a comida.


Sem conseguir engolir toda a comida, pedimos a conta. Chamamos o maître e explicamos que não pagaríamos os 10% de serviço por [tudo acima]. Ele nos olhou por cima de toda sua altivez e respondeu “o prato demorou 33 minutos, o que está completamente dentro do esperado para este prato”. Foi embora tão rispidamente que largou a máquina do cartão na mesa.

A conta, sem os 10%, ficou R$ 126,40.

A verdade é que até antes da demora e da birra do garçon, eu já tinha notado uma certa attitude. Não gostei. Um ar meio insolente...
Lembra de um post em que escrevi quão triste ficava pelo fim dos empreendimentos? Toda regra tem sua exceção, e uma casa que trata o cliente com tamanha petulância e ignorância merece fechar. Espero que o dono deste restaurante selecione e treine melhor seus funcionários. Ao contrário, ficarei feliz quando ouvir que o Trindade de BH fechou.

Voltei para SP e fui jantar no Quintal do Bráz, de tão saudosa que estava de bom atendimento.

Voltarei? Nunca.
Para ir: nunca.
Tipo: pratos contemporâneos com toque abrasileirado.

Fotos: @autoindulgente.

Serviço de utilidade pública:  Poupe-se.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Restaurante em BH - Glouton

Chegamos ao Glouton às 19h45 da quinta-feira (não era feriado em BH). Sentamos em seguida, mas não teve tanta sorte quem chegou 30 minutos depois.
O restaurante apareceu numa reportagem de capa do Caderno Paladar sobre a nova leva de ótimos restaurantes da capital mineira. O chef trabalhava em outro restaurante recomendado na mesma reportagem (o Taste-Vin) mas queria fazer uma comida mais bistronômica (para usar o termo do próprio restaurante) – ou seja: bem feita mas mais simples e acessível.

A casa é bem decorada e bonitinha, o cardápio é simples e conciso – todo numa folha de papel, assim como a carta de vinhos. Eles vendem pichets (vasinhos com 250ml de vinho – 3 opções, como se fosse um “vinho da casa”). A água é cortesia.
O atendimento é um primor – nossa atendente falava com entusiasmo e propriedade dos pratos da casa – tinha a descrição de como cada um era feito na ponta da língua, como se a própria fosse a chef.

HK foi de porco e mil-folhas de mandioca, e eu fui de galinha caipira cozida a baixa temperatura. Os dois estavam absolutamente fantásticos!! Deliciosos, tamanho adequado e surpreendentes. A mandioca, fatiada no mandolin, cozida em água e depois montada e assada numa forma, intercalada com manteiga, realmente parece um mil folhas! E a galinha... tenra, úmida, saborosíssima! Nunca a morte de uma galinha foi tão honrada!!

De sobremesa, pedimos o crème brûlée, feito à perfeição, e a torta de chocolate com flor de sal e calda de caramelo. Eu não sou nem nunca fui muito obcecada por chocolate. São raríssimas as vezes que peço sobremesas de chocolate. Ainda bem que abri uma exceção – a torta foi uma das melhores sobremesas que comi em restaurantes em muito tempo! Estava excepcional.



A conta para os dois ficou R$ 187 (os dois pratos + as duas sobremesas + um pichet).

Voltarei? Se pudesse voltar hoje, voltaria.
Para ir: com reserva. A casa lota.
Tipo: bistrô.

Fotos: @autoindulgente (a foto da galinha está neste perfil).

Serviço de utilidade pública: Rua Bárbara Heliodora 59, Lourdes, Belo Horizonte/ MG - tel. (31) 3292-4237.  

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Feriado em BH

No último feriado, da Consciência Negra, emendei no trabalho e me mandei pra BH. Eis aqui nosso roteiro:

Chegamos na quarta-feira à noitinha em Confins (super longe do centro de BH), alugamos um carro na Avis(1) e, como já passava das 23h, fomos para os barzinhos de Savassi, mortos de fome. Acabamos no Albano’s, comendo uns petiscos, mas sem tomar o chopp (de acordo com as paredes, já inúmeras vezes eleito o melhor de BH, por várias revistas diferentes). Não estava ruim, mas longe de estar bom. Preços decentes – R$ 66,44 para duas pessoas (sem bebidas alcoólicas).
Nessa região da Rua Passa Tempo, há váááários botecos (que dão fama à BH). Difícil escolher um.

(1) Nossa experiência com a Avis não foi lá das melhores. Já fomos muito mais felizes com a Localiza. O carro era ok, mas as duas únicas interações com a empresa em si (retirada e devolução) foram demoradas e burocráticas – exatamente o que um aluguel de carro NÃO deve ser.

Ficamos hospedados no Ibis Afonso Pena (bairro Funcionários), numa região bem central e agradável, pertinho da Praça da Liberdade. Gostei de ter ficado lá, e o preço da diária é bem decente (cerca de R$ 160). Não tem charme (padronização Ibis, né...), mas é limpo, bem localizado e funcional.
Ah, a diária não tem vaga inclusa, mas o hotel tem um estacionamento anexo. A pernoite é R$ 17. Você também pode estacionar na rua, mas ela é rotativa – das 8 às 18h, você pode ficar estacionado por no máximo 5h, com “zona azul”.

No dia seguinte, fomos de carro ao Mercado Central tomar café da manhã (o Ibis não tem café da manhã incluso). Com recomendações de um amigo mineiro, comemos o pão de queijo da Dona Diva (R$ 3) e a broa de milho com queijo do Café Dois Irmãos (R$ 2,20). O pão de queijo estava (somente) bom, mas a broa virou um divisor de águas para mim!! Maravilhosa!! Nunca mais olharei as broas de milho com os mesmos olhos...

Seguimos para Inhotim, razão-mór da nossa viagem.
Inhotim, para quem nunca ouviu falar, é um museu a céu aberto – um jardim botânico permeado de galerias e obras de arte contemporânea. É particular e foi nomeado em homenagem ao avô do dono (“Senhor Timóteo” em mineirês).
Não sei direito o que falar de Inhotim... simplesmente VÁ!!! Mesmo quem não liga ou não gosta de arte contemporânea vai se surpreender positivamente (mon cas). O lugar é absolutamente INCRÍVEL. Odeio falar esse tipo de coisa, mas... é verdade: não parece que você está no Brasil, de tão bonito, bem tratado, bem pensado e organizado que é.
Alguns insights e informações sobre o museu:
- o passe de dois dias custou R$ 48 por pessoa;
- na entrada, você recebe um mapa na entrada com 3 rotas sugeridas. Fizemos a rosa e a amarela no primeiro dia, e a laranja no segundo. Não houve preferência por nenhuma das 3 – todas elas tem alguma galeria ou obra que vale a visita;
- em cada galeria, há um instrutor que pode te fornecer um pouco de história e perspectiva sobre a obra e sobre o autor. Alguns instrutores são melhores que outros, mas todos já te ajudam a viajar. Sim, óbvio, tem um monte de obra que vai te deixar com aquela cara de ‘???’, mas essa é a vida das pessoas ordinárias (incl. moi);
- dois dias são suficientes para fazer tudo com MUITA calma. Sinceramente, se fosse agora, faria tudo num dia só (um pouco mais corrido);
- não contratamos carrinho (nem sentimos falta). Na sexta, tinha tanta gente, que as filas dos carrinhos estavam imensas... você acabava perdendo mais tempo nas filas do que se fosse a pé ao monumento seguinte. Só recomendo o carrinho para os muito preguiçosos ou pessoas com dificuldades/ deficiências motoras;
- o museu tem 3 restaurantes – um por quilo e dois a la carte. No primeiro dia, comemos no Oiticica, o por quilo (R$ 49,90 o quilo) – eu também tinha certo preconceito com bandejão durante as férias, mas o salão é tão bonito e a comida tem uma cara tão boa que não pensamos duas vezes. Não me arrependi. Chegamos às 11h59 e comemos tranqüilos, mas, quando saímos, já tinha fila de espera na porta. Íamos comer no Tamboril no dia 2, mas a espera estava em mais de 1h e acabamos indo embora sem almoçar;
- as obras/ galerias que mais gostamos foram: Galeria da Praça (instalação da Janet Cardiff), Galeria Adriana Varejão (a parede com víceras) e o Narciso da Yayoi Kusama.
- se quiser, leve roupa de banho – duas obras tem piscina e permitem a entrada dos visitantes. Também leve filtro solar, chapéu (muito sol), tênis (ou outro sapato fechado bem confortável) e uma garrafinha, para sempre ter água a mão.


Galeria Adriana Varejão


Lindo Tamboril, pertinho do restaurante Tamboril

Voltamos para BH e jantamos no Glouton (tema de outro post que escreverei em breve).
Resolvemos fazer bate-e-volta de BH porque li muitas críticas ruins aos hotéis e pousadas de Brumadinho e, considerando que o museu fecha às 16h30, seria muito tempo para curtir nada até a hora de dormir... Acho que nossa decisão foi acertada – BH tem muito mais opção para jantar e passear e são apenas 1h15~1h30 de estrada em boas condições entre uma cidade e outra.

No segundo dia, fizemos repeteco de broa do Café Dois Irmãos e seguimos para Inhotim. De lá, fomos para Ouro Preto. Levou quase 2h, sendo a primeira em uma estrada bem vicinal, tortuosa e cheia de lindas paisagens. As condições da rodovia são ok (mas eu não faria o mesmo percurso à noite...).

Chegando em Ouro Preto, fizemos check-in na Pousada do Arcanjo, #1 no TripAdvisor.
Coisas que gostei na pousada: a pousada em si, bem bonitinha e agradável; o atendimento muito amistoso e bem informado da recepção; o chá das 17h, que era bem simples, mas muito providencial; a van que levava e trazia do Centro a qualquer momento, com 10 minutos de aviso; o ar condicionado (a imensa maioria das pousadas de Ouro Preto não tem), e o fato de não ser mal assombrado (isso deve ser luxo em Ouro Preto).
Coisas que não gostei na pousada: a cama, mole demais para minha coluna; o café da manhã, que podia ser mais gostoso, e o chuveiro, meio minguadinho demais.
Coisas que ainda não consegui decidir se gostei ou não gostei: o uniforme dos funcionários da recepção (pena que esqueci de tirar foto) – inspirada nos inconfidentes mineiros, mais me parecia uma piada de mau gosto.


Fomos andando até a Praça Tiradentes (todas as igrejas e museus já estavam fechados) para fazer um reconhecimento do local e jantamos n’O Passo, uma pizzaria que está em 10 de 10 guias e resenhas sobre a cidade.
Apesar das críticas animadas, paulistana como sou, deveria não esperar muita coisa de uma pizzaria mineira, mas fui com expectativas e dei com os burros n’água. A massa era sofrível, tipo de rotisserie de supermercado. Não saí feliz. A conta foi R$ 88,55 (pizza grande + 1 sobremesa + 2 chopps Ouro Pretana + 1 long neck).


No sábado, visitamos a Igreja de São Francisco de Assis (obra-prima de Aleijadinho), a Igreja de Nossa Senhora do Carmo (lindos azulejos portugueses), o Museu da Inconfidência (interessante) e a Igreja da Nossa Senhora do Pilar (a pura encarnação da **famosa** expressão “ostentar pra esperança levar”, com seus mais de 400kg de ouro).
Não somos muito chegados em barroquismo.
 
S. Francisco de Assis
N. Sra. do Pilar
Almoçamos num autêntico buffet mineiro, por indicação de um inconfidente da pousada, no Contos de Réis. A comida estava boa, mas a verdade é que o Consulado Mineiro daqui de SP não deixa nada a dever. Interessante mesmo é a casa que abriga o restaurante – é a antiga casa de um dono de mina, e o restaurante, no térreo, era a senzala, com correntes, sino e vários outros objetos autênticos da época! Tristíssimo imaginar tudo aquilo menos de 1,5 século atrás...
O buffet é R$ 44 por pessoa, e a conta ficou R$ 105,05 para duas pessoas, com bebidas não alcoólicas.


Pegamos o trem da Vale para Mariana, no vagão panorâmico (com janelas inteiras de vidro e ar condicionado). O caminho é bonito, sim, mas R$ 60 por pessoa (só ida) foram abusivos, na minha opinião. Não vale (sem trocadilho).

Chegando em Mariana (1h), nossa idéia era dar uma volta no centro histórico e pegar o ônibus de volta para Ouro Preto, parando nas Minas da Passagem (uma mina de ouro desativada), mas começou a cair o maior toró quando pisamos em solo mariano e acabamos voltando em seguida, de ônibus (R$ 3,40, saindo de 40 em 40 minutos, trajeto em 30 minutos).

À noite, jantamos no Bené da Flauta, cuja vista também é supercomentada nos guias e resenhas da cidade. A vista... sei lá, acho que perdi porque não vi nada de especial, mas recomendo o restaurante – a sopa bambá de couve (com fubá, couve manteiga e lingüiça) estava ótima, e a torta da Dinda (de nozes, com fios de ovos e baba de moça) estava úmida e doce na medida certa!
A conta ficou R$ 71,70 (2 sopas, água, Coca, 1 sobremesa).
Depois, fomos tomar um drink no Café Geraes, um restaurante que conta com um bar (o Escadabaixo) no subsolo. Não sei se a comida é boa (é do mesmo grupo d’O Passo), mas o lugar é super agradável, com piano (jazz) ao vivo. Recomendo!


Ladeiras de Ouro Preto
No domingo, fizemos nosso check-out e fomos embora logo depois do café da manhã. Chegamos em BH umas 11h30, fizemos uma horinha e almoçamos no Trindade (outro post a caminho). Entregamos nosso carro e embarcamos rumo a Congonhas.

A verdade é que Ouro Preto pode ser vista em um bate-e-volta de Belo Horizonte, também. Ou seja – um feriado de 3 dias animado já cobre tudo que eu fiz nesse feriado prolongado e ainda dá tempo de dar uma volta no Complexo da Pampulha.
Minha sugestão (considerando feriado na segunda): chegue na sexta-feira à noite >> alugue um carro >> hospede-se na região de Savassi/ Lourdes/ Funcionários >> na manhã seguinte, parta cedinho para Inhotim (abertura às 9h30), almoce cedo (sem filas) e volte quando o museu estiver para fechar (16h30) >> jante em algum restaurante de Lourdes >> no domingo, parta para Ouro Preto, visite os mesmos pontos que fiz (é o TOP4 da cidade) e as Minas da Passagem, se tiver vontade >> jante em BH (sem sugestões, porque muita coisa fecha no domingo à noite) >> no dia seguinte, passeie pelo Complexo da Pampulha e almoce no Xapuri (super famoso buffet de comida mineira) antes de voltar para SP.

Fotos: @autoindulgente.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Jantar @ Tasca da Esquina

Desde início de outubro, estou fazendo uma dieta com acompanhamento de nutricionista. Não está sendo ruim – pelo contrário, tem muitos pontos positivos além do estético. Tenho comido muito mais frutas do que comia antes, forçado-me a comer em intervalos menores de tempo etc. Em compensação, o blog tem sofrido com a carência de posts... só tenho 1 dia “livre” da dieta por semana – e é óbvio que tendo a gastar minha liberdade em lugares que tenho certeza de que não me arrependerei. Com isso, acabo conhecendo poucos lugares novos...

Outro dia, gastei meu jantar livre no Tasca da Esquina e, apesar de já ter escrito sobre ele aqui, acho que vale a pena um novo post, uma vez que as vezes anteriores sempre foram em almoços executivos.

Chegamos cedinho, logo depois das 20h. Sem reserva. Pelo que entendi, só sentamos porque uma das reservas havia sido cancelada há pouco. A casa é cheia, e uma pessoa prevenida teria feito reserva. #ficaadica
(para quem não fez reserva, há bancadas do lado de fora para bebericar e comer um petisco enquanto espera, mas elas também lotam rapidinho!)

Resolvemos pedir apenas porções para petiscar. A bochecha de porco estava em falta, então, fomos de bolinho de bacalhau(4 por R$ 19), lulas salteadas com pupunha (R$ 41), salada de polvo com mandioquinha (R$ 46) e as tradicionais alheiras (4 bolinhos por R$ 39). O Tasca continua me surpreendendo pela qualidade da cozinha – tudo que sai dela é bem feito e gostoso! De qualquer forma, a salada de polvo foi meu prato favorito! (a mesa vizinha pediu as lascas de bacalhau com batata palha e ovo frito e também parecia super gostoso, fiquei babando)



As porções vem em pires ovais de uns 20cm de comprimento e não conseguimos comer tudo que pedimos (até seria possível, mas sairíamos rolando).
De sobremesa (seria pecado ir ao Tasca e sair sem sobremesa), pedimos o farófias (R$ 16), uma espécie de ovos nevados,bem leve, e o encharcada com sorvete de limão (R$ 19), fios de ovos encharcados e gratinados. Ambos estavam divinos!! Adoro doces portugueses.


A conta, com uma água tônica e uma água mineral, saiu R$ 210,43 para o casal. Os pratos individuais saem entre R$ 70-90. Uma conta com 2 pratos médios, as mesmas bebidas e sobremesas sairia em torno de R$ 240. Caro. Não dá para comparar com o almoço, que continua sendo hors-concours em termos de relação custo/benefício.
O atendimento é uma simpatia, super informado, educado e bem treinado.

Voltarei? Possivelmente. Deve ser o melhor restaurante português da cidade. Não conheço melhor! Uma pena que não dê mais para ser no almoço (muito longe)...
Para ir: com reserva e com grupos não muito grandes.
Tipo: português.

Fotos: @autoindulgente

Serviço de utilidade pública: Alameda Itu, 225, Jardim Paulista - tel. 3262 - 0033

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Sálvia

Apesar de só ter ido uma vez ao Marcelino, fiquei triste quando soube que fechou. Sempre (com algumas exceções) fico triste com notícias de empreendimentos que fecharam... malemá, é o sonho de alguém sendo deixado para trás... Mas, às vezes, aquele velho “quando Deus fecha uma porta, abre uma janela” cai como uma luva nessas situações (e em muitas outras, também, devo dizer).
Um exemplo é o Itigo, que era bom, mas infinitamente menos bom que o Sanpo; outro exemplo é o Sálvia – Cozinha de Afeto, que também achei muito mais justo que o Marcelino!

Fui sábado, na hora do almoço (está fechado para jantar e aos domingos). Mais cedo, eles servem café da manhã, à la carte. A casa é pequenininha e bem agradável, decoração delicada, almofadinhas e mesas ao ar livre (são dog friendly). O atendimento é educado e solícito. Tudo saudável mas sem afetação (tem glúten e tem lactose!).

Pedi o pot pie de frango com saladinha (R$ 21 + 8) e meus acompanhantes pediram um risoto (R$ 39), um pot pie de abobrinha com salada e um escondidinho de camarão (R$ 40). O pot pie (uma cumbuca de recheio coberta por um disco de massa) estava supergostoso! A salada estava fresca e vinha com um molho de tangerina docinho e leve para temperar. Rivalizou com o Deliqatê. Já os demais pratos não estavam ruins, mas não marcaram presença...
Risoto de filé mignon
Gostei das sobremesas porque tem cara de “sobremesa de casa”. Bolos simples com cobertura, pavês montados na hora... em tamanho normal ou mini (R$ 6), em copinhos tamanho shot – perfeito para satisfazer o sweet tooth depois do almoço! O de doce de leite estava uma delícia.

4 pratos principais + 3 sobremesas + 3 bebidas + 1 café = R$ 48,40 por pessoa.

A casa é relativamente nova e ainda está passando por ajustes, claramente. O cardápio estava mudando justamente naquele dia. Mas acerta o alvo ao compensar seus probleminhas:
1) os pratos demoraram mais de 30’ para chegar à mesa – o garçom trouxe pão de mandioquinha com pesto da casa, de cortesia, para experimentarmos e acalmarmos nossos estômagos.
2) o escondidinho vinha numa panelinha de uns 12cm de diâmetro. Achei pequeno para o preço e considerando que é o almoço de alguém. Podia vir acompanhado de arroz ou salada. Questionaram justamente isso quando vieram retirar as louças (ou seja, estão repensando a porção).

Ah – e a água é cortesia!! ;)

Voltarei? Sim, para o café da manhã da próxima vez!
Para ir: com poucos amigos (restaurante é pequeno) ou com família.
Tipo: comidinha leve e saudável, feita com carinho e esmero.

Foto: Helio Kwon (a foto do pot pie está no @autoindulgente).

Serviço de utilidade pública: Av. Jacutinga, 96, Moema - tel. 2628-8958

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Paribar


É curioso, mas a minha melhor fernandica no fim de semana em que provo o menu degustação do Maní é o Paribar. Saí de lá completamente encantada, com vontade de voltar mais e mais vezes.

- a localização é fantástica – bem no Centrão de São Paulo, pertinho da linda Biblioteca Mario de Andrade. Eu adoro o Centro e até pensamos em comprar um apê lá quando casamos (felizmente desistimos porque não seria tão prático quanto morar no Paraíso). Dá para chegar de metrô, de bike, de carro... como bem quiser;

- o ambiente não poderia ser mais charmoso – toldo verde e branco, mesinhas do lado de fora com cadeiras de vime, salão bem cuidado e retrozinho, cheio de fotos do Paribar original na parede;
- aos domingos, dia inteiro (10-17h), serve brunch (minha refeição favorita) – 12 tipos de ovos, bacon feito lá mesmo, english muffin feito lá mesmo, tapiocas, panquecas americanas e sucos naturais;
- aos domingos, das 11-14h, até o próximo 04 (não sei se vai além), está com o projeto Street Jazz – bandinha ao vivo por R$ 10 por pessoa de couvert artístico. Neste domingo, era a simpaticíssima banda Yabba Dabba Jazz (dá uma olhada no vídeo que postei no Instagram para ter um gostinho – está no @fernanda.i);
- o atendimento é uma gracinha, super atencioso.

Dividimos ovos mexidos com bacon e salsicha sobre torradas + combo #1 (2 panquecas americanas com mel, geléia e salada de frutas) + 2 sucos. Os ovos estavam bem gostosos e gostei bastante do bacon artesanal. As panquecas estavam cruas no meio... tem que fazer em fogo mais baixo... A conta ficou R$ 60,19 + R$ 20 de couvert. Não exatamente barato, mas saí satisfeita.

Voltarei? Sim!!
Para ir: Aos domingos, com poucas pessoas ou com reserva (havia várias mesas grandes reservadas).
Tipo: Brunch (mas, na verdade, abre 7 dias por semana, no almoço e jantar).

Foto: @autoindulgente (tem foto dos ovos com bacon lá no Insta)

Serviço de utilidade pública: Praça Dom José Gaspar, 42, República - tel. 3237-0771

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Menu-degustação no Maní

Fizemos a reserva no Maní há mais de 1 mês. Dá para acreditar numa coisa dessas? Era para ser meu presente de aniversário, que já passou há mais de 15 dias. E eles reservam 100% do salão. É muito sucesso!
(inacreditavelmente, o Dom tinha reserva para mais cedo)

Fomos de menu degustação normal (vs. harmonizado com vinho). Custa R$ 380 por pessoa. Não me lembro do preço do com vinho. Há também um outro menu fechado especial, por R$ 185, com (bem) menos tempos. No cardápio, os pratos estão com um preço próximo dos do Loi (R$ 70-90) e o rosbife que comi da outra vez ainda está lá (felizmente) (acabei de descobrir que nem escrevi sobre essa primeira vez).

Tudo começou com um couvert composto de ostra envolta em lâmina de pepino e pérolas de lichia, conserva de manjubinha com raspadinha de uva e trufa de jabuticaba e cachaça. Os três BEM interessantes. A “trufa” (foto no insta) era uma casquinha ultrafina de chocolate com somente líquido dentro – delicadíssimo.

Em seguida, 3 “bombons” – de guacamole (não tinha gosto de nada, não gostei), de gorgonzola (muito bom) e de foie gras, com vinho tinto (meu favorito... superbom... todos sabores se complementando mas perceptíveis individualmente, também).

A segunda entrada foi o ceviche de caju com raspadinha de caju (somente disponível no menu degustação). Interessante. A consistência do caju lembra peixe mesmo. Mas, sinceramente, não mudou minha vida.

Depois, veio o lagostim no vapor de cachaça com sopa fria de jabuticaba. Não entendemos direito este prato. Estava gostoso, mas não me pareceu pensado – pareciam várias coisas gostosas juntas simplesmente, não que elas harmonizassem entre si. Não achei que o lagostim agregou à jabuticaba, nem vice-versa.

Toda nossa má impressão foi embora no prato seguinte – tutano dentro de palmito (imitando o osso) com folhinhas de espinafre e açaí. Tudo lindo, tudo gostoso, tudo fazendo sentido.

Depois, veio o famoso nhoque de mandioquinha e araruta com dashi de tucupi – que merece toda a fama que tem. É intrigante, instigante e agradável ao mesmo tempo. Valeu a pena.

O próximo prato foi o penne de palmito com coco e castanha do Pará ralados. Parece sem graça – e é. É gostoso, mas, não fosse a foto que tirei, nem lembraria dele.

O sétimo foi a coca (como espanhóis chamam um cicchetti de pão, tomate e peixe) – a do Maní é com ratatouille e carapau. Bom e exclusivo do menu degustação, mas não descobri a América Espanha com esse prato.

O oitavo foi o prato que achei mais gostoso – um polvo braseado absurdamente macio e bem cozido, com purê de batata roxíssima e chips finíssimos e crocantíssimos. Maravilhoso... podia comer um polvo inteiro!!

Em seguida, veio a moqueca, que mudou bastante da primeira vez que fomos (o HK havia pedido este prato) – agora ele vem com uma terrine de coco na base, peixe não ensopado e o caldo com leite de coco e azeite de dendê a parte. Muito gostoso!! Versão chic da nossa moqueca, mas uma mais tradicional não fica mal perto desta, não.

O décimo prato foi o que mais gostei no sentido de ser uma experiência interessante – esferas de feijoada! Meu primeiro prato de cozinha molecular! O sabor estava muito bom, mas o grande lance deste prato foi, obviamente, a sua apresentação.

E o último tempo foi o arroz de coelho, que estava com uma consistência absurdamente macia. Muito gostoso.


De sobremesa, a panacotta de coco com sorvete de abacaxi valeu a pena! Refrescante, cheio de texturas diferentes, bem gostoso. As bolinhas lembraram-me um sorvete bizarro que tomamos em Búzios, feito com gelo seco. 

Já o Rei Alberto (não, não sei porque chama assim – e olha que perguntei!) – merengue com doces de frutas em texturas diferentes – estava bom mas achei meio enjoativo.


Foram 11 pratos + couvert + 2 sobremesas. Com duas águas e serviço, a conta saiu a pequena fortuna de R$ 844,80 o casal.
A degustação do Maní não foi, imagino eu, pensada para ser um apanhado dos melhores pratos da casa (mesmo porque inclui vários pratos que nem estão disponíveis no cardápio), mas sim para ser a visão dos chefs sobre o que é a cozinha do restaurante.
Eu sou uma defensora de menu degustação porque acredito que o todo é maior que a soma das partes. No Kan, isso foi verdade. No Guaiaó, isso foi verdade. Saí dessas duas casas com um sentimento de WOW!, sem conseguir parar de sorrir. Não foi o caso do Maní – sinceramente saí com uma sensação ruim. Certamente preferia ter ido 4 vezes ao mesmo restaurante e ter pedido o rosbife ou a bochecha ou o polvo e, de sobremesa, o bom e velho “O Ovo”.

Voltarei? Sim, mas pedindo do cardápio.
Para ir: com reserva (bem) antecipada.
Tipo: alta gastronomia, com toque espanhol e ingredientes brasileiros.

Fotos: @autoindulgente

Serviço de utilidade pública: Rua Joaquim Antunes, 210, Pinheiros - tel. 3085-4148